Isabel Allende escreve sobre suas relações com graça, leveza, autocrítica. E coragem: não tem receio de expor suas fraquezas. Mostra-se, por vezes, uma mãe controladora, sogra invasiva, esposa intransigente. E justificando seu objetivo que é, sempre, manter unida a família.
Em tantos anos de vida numa família tão separada, as palavras de Allende me mostraram um vazio imenso na soma dos meus dias e uma vontade de viver nessa proximidade. Isso chega a ser utópico, afinal nunca convivi com primos, tias e avós. Mesmo a minha pequena família vive separada há tempos. Ou desde sempre.
A separação é geográfica. Cada um numa cidade, num estado e o belo horizonte, agora, só para mim. A tecnologia a meu favor... mas isso não substitui os almoços do meu pai, minha sobrinha me acordando, minha irmã pegando minhas roupas sem pedir, o caçula me mostrando a diferença de tamanho entre o estegossauro e o homem, a outra irmã me contando os casos do colégio e gostando do meu esmalte, minha madrasta sempre pronta a ajudar... Até dos móveis da minha mãe em casa, vou sentir falta.
