
Ele era português. E tinha todo aquele jeito fechado de europeu. Apesar de falarmos o mesmo idioma, nem sempre eu entendia alguns dos seus modos e conversar ao telefone chegava a ser hilário. Não ficava calada para ouvir um fado inteiro e me sentava ao seu lado nos restaurantes, o que ele encarava como falta de interesse de minha parte. (muito depois fui saber que casais se sentam de frente para se olharem).
Foi um namoro pouco convencional. Desde o início, tinha data de vencimento. Ele voltaria para Portugal e deixou claro que a distância não era um obstáculo, era o fim mesmo. Talvez por isso, nunca falamos a respeito, nunca trocamos endereços, nunca me entreguei de verdade.
Nos víamos aos fins de semana e geralmente estávamos rodeados de pessoas. Amigos, colegas de trabalho dele e gente que não acabava mais em festas que apareciam a todo momento. Ele nem sempre ia, mas não ligava que eu fosse, desde que chegasse na hora combinada.
Bravo para um rapaz que tem a altura do Tom Cruise!
3 coisas o incomodavam muito:
- acordar com o barulho das minhas amigas que passavam a noite no sofá
- meus pijamas de ursinho
- eu gostar tanto de estar no meio de todo mundo!
Bom, eu passei a usar pretinhos básicos. Valia a pena para acordar e escutar que meu ronco era um canto de sereia, um ronronar de gatinho e depois sair juntos para tomar um pequeno almoço.
O dia agendado chegou. Não houve despedidas. Apenas um telefonema que me fez entender que mesmo com toda a racionalidade dele, ele havia sido pescado.
By Renata que esta semana teve a pior TPM de todos os tempos e recebeu um email além-mar depois de tantos anos.